quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Moderno...

Tomou o martelo pesado todo cheio de barro
E tocou a destruir todo verso bem feito...
Malhou nas ogivas dos decassílabos: - tá! tá! tá!...
E os pedaços de cornijas caíam pelo chão relvoso
Numa monotonia de pedaços de cornijas...
Fez cair todas as flores-de-lis que corneavam as janelas
E sobre o montão novo de ruínas de versos sonoros
Começou a viçar toda a vegetação alegre da terra:
Pés de jurubebas, canapuns, pinhões se erguiam...
As flores que ainda não foram vistas: azuis - amarelas - vermelhas - pintadas.
As folhas viçosas dos mata-pasto...
Lagartixas... Calangos num sim-sim de cabeça se estiravam
Ao sol gostosamente quente...
Melões de São Caetano enfeitavam todo o basculho
Da arquitetura colonial...



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FERNANDES, Jorge. Livro de poemas de Jorge Fernandes. 5 ed. Natal: EDUFRN, 2008, p.40.



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