quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Desaparecido

Sempre que leio nos jornais:
"De casa de seus pais desapar’ceu..."
Embora sejam outros os sinais,
Suponho sempre que sou eu.


Eu, verdadeiramente jovem,
Que por caminhos meus e naturais,
Do meu veleiro, que ora os outros movem,
Pudesse ser o próprio arrais.


Eu, que tentasse errado norte;
Vencido, embora, por contrário vento,
Mas desprezasse, consciente e forte,
O porto do arrependimento.


Eu, que pudesse, enfim, ser eu!
- Livre o instinto, em vez de coagido.
"De casa de seus pais desapar’ceu..."
Eu, o feliz desaparecido!






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QUEIRÓS, Carlos. Desaparecido e outros poemas. Lisboa: Livraria Bertrand, 1950.




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