quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Orfeu rebelde



Orfeu rebelde, canto como sou:
Canto como um possesso    
Que na casca do tempo, a canivete,
Gravasse a fúria de cada momento;    
Canto, a ver se o meu canto compromete
A eternidade no meu sofrimento.

Outros, felizes, sejam rouxinóis...    
Eu ergo a voz assim, num desafio:
Que o céu e a terra, pedras conjugadas    
Do moinho cruel que me tritura,    
Saibam que ha' gritos como há nortadas,    
Violências famintas de ternura.

Bicho instintivo que adivinha a morte    
No corpo dum poeta que a recusa,
Canto como quem usa    
Os versos em legitima defesa.
Canto, sem perguntar à Musa    
Se o canto é de terror ou de beleza.




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Poema publicado inicialmente em Jornal de Poesia.




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