quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Três poemas de Orides Fontela



ESCULTURA

O aço não desgasta

seus espelhos múltiplos
curvas
arestas
apocalíptica fera.

O aço não se entrega

e nem se estraga é
                                        forma 
- presença imposta sem signos

O aço ameaça

- imóvel -
com a aspereza total
de seu frio.

Ó forma
violenta pura
compo emprestar-te algo
                                        humano
uma vivência um nome?


PARA FIXAR

Para fixar

a flor não nos serve o espaço
de pauta

ela des
liza pre
cede-nos
no horizonte duração
                      aberta
elaestrela nada
a fixa
mas elaflor nos fixa
em seu
voo

flor
que nos vive no puro
tempo


VIAGEM

Viajar
mas não
para

viajar
mas sem
onde

sem rota sem ciclo sem círculo
sem finalidade possível.

Viajar
e nem sequer sonhar-se
esta viagem.