quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Fernando Pessoa por Sophia de Mello Breyner Andresen





Fernando Pessoa

Teu canto justo que desdenha as sombras
Limpo de vida viúvo de pessoa
Teu corajoso ousar não ser ninguém
Tua navegação com bússola e sem astros
No mar indefinido
Teu exacto conhecimento impossessivo

Criaram teu poema arquitectura
E és semelhante a um deus de quatro rostos
E és semelhante a um deus de muitos nomes
Cariátide de ausência isento de destinos
Invocando a presença já perdida
E dizendo sobre a fuga dos caminhos
Que foste como as ervas não colhidas


ANDRESEN, Sophia de Mello Breyner. Cem Poemas de Sophia. Paço de Arcos: Editorial Caminho-Visão/JL, 2004.

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