domingo, 2 de junho de 2013

Dois poemas de Ana Cristina Cesar




fevereiro

Quando desisto é que surges
Quando ruges é que caio.
Quando desmaio é que corres
Quando te moves me acho
Quando calo me curas
E se misturo me perco
                           (assobia!)

Sete Chaves

Vamos tomar chá das cinco e eu te conto minha
grande história passional, que guardei a sete chaves,
e meu coração bate incompassado entre gaufrettes.
Conta mais essa história, me aconselhas
como um marechal do ar fazendo alegoria.
Estou tocada pelo fogo.
Mais um roman à clé?
Eu nem respondo.
Não sou dama nem mulher moderna.
Nem te conheço.
Então:É daqui que eu tiro versos,
desta festa – com
arbítrio silencioso e origem que não confesso –
como quem apaga seus pecados de seda,seus três
monumentos pátrios,e passa o ponto e as luvas.

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