segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Dois poemas de Robert Frost



SEMEANDO

Vens me tirar de meu noturno ofício
À hora certa do jantar; mas, verás,
Não poderás impedir-me o vício
De enterrar, da macieira, as pétalas
(simples pétalas, sim, mas não sozinhas,
misturadas que estão ao feijão e ao milho)
E te fazer esquecer o que te traz
Aqui e te tornar, assim, tão isso,
Similar a mim, amante da terra.
Sim, o Amor está no semear e nisso
De esperar e ver brotar aquelas
Que vão manchar, daninhas, o solo difícil
Da arqueada e forte muda, pequena dona


FOGO E GELO

Uns dizem que o mundo em fogo termina,
Outros, que em gelo se apaga.
E eu já provei de desejo, que é sina
Por isso repito que em fogo termina.
Mas se mais uma vez nosso mundo se estraga,
Só sei que na vida provei tanto ódio voraz
Que posso dizer que, se em gelo se apaga,
Tanto fez como tanto faz,
Posto que tudo se acaba.

De ombros que empurram as coisas da terra.

* Tradução de Dirlen Loyolla

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