sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Euclides da Cunha, o poeta segundo Augusto de Campos


Ilustração: Andrés Sandoval (detalhe)

Dodecassílabos 

Estala na mudez universal das coisas
estrídulo tropel de cascos sobre pedras
e naquela assonância ilhada no silêncio
o cataclismo irrompe arrebatadamente.

O doer infernal das folhas urticantes
corta a região maninha das caatingas
fazendo vacilar a marcha dos exércitos
sob uma irradiação de golpes e de tiros.

Por fim tudo se esgota e a situação não muda,
lembrando um bracejar imenso, de tortura,
em longo apelo triste, que parece um choro.

Num prodigalizar inútil de bravura
desaparecem sob as formações calcáreas
as linhas essenciais do crime e da loucura.


Os crentes

Não inquiriram para onde seguiam.

E atravessaram serranias íngremes,

tabuleiros estéreis e chapadas rasas

na marcha cadenciada pelo toar das ladainhas

e pelo passo tardo do profeta...


* Os poemas aqui apresentados é uma transcrição e versificação cuidada por Augusto de Campos a partir de Os Sertões, de Euclides da Cunha.




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