sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Edição n.14 da Revista 7faces está online



Mário Peixoto (1908-1992) foi ligado, pela amizade ou pela criatividade, a nomes  como Clarice Lispector e Lúcio Cardoso, entre outros; autor de um livro elogiado por Jorge Amado e Manuel Bandeira que revolucionou o romance brasileiro, O inútil de cada um – obra que até agora os leitores só conhecem o primeiro de um todo de seis volumes e este único título ainda há muito fora de circulação no mercado editorial. Igualmente exímio poeta, elogiado por Mário de Andrade como um autêntico modernista. Mas, pouco lembrado por sua literatura.

Sobre Mário Peixoto sempre se recorda quando o assunto é o cinema. Foi o realizador de um filme elogiado por nomes como Orson Welles e peça de culto da cinematografia brasileira. Limite, tal como sua prosa e sua poesia, é uma obra desconcertante em todos os aspectos.

Todas as facetas do artista são exploradas por estudiosos de sua obra na edição 14 da Revista 7faces; além de fotografias, reproduções de poemas, manuscritos, inéditos, falam sobre o trabalho artístico literário de Mário Peixoto, Geraldo Blay Roizman, Ciro Inácio Marcondes, Saulo Pereira de Mello, Roberta Gnattali e Joel Pizzini. 

Apresentada durante os dias 13 e 14 de novembro de 2017 no evento Mário Peixoto. A poesia que reside nas coisas, a edição organizada por Filippi Fernandes, Cesar Kiraly e Pedro Fernandes traz ainda poemas de José Luís Peixoto,Jonas Leite, Chary Gumeta (poeta mexicana traduzida por Pedro Fernandes), Rodrigo Novaes de Almeida, Lucas Rolim, Gabriel Abilio de Lima Oliveira, Carlos Augusto Pereira, Geovane Otavio Ursulino, Rosa Piccolo, Izabela Sanchez, Orlando Jorge Figueiredo, Diego Ortega dos Santos, Lucas Facó e Felipe Simas.

Acompanha este número, um catálogo com poemas, excertos da prosa e outras imagens do arquivo Mário Peixoto.

Tudo disponível online no site da Revista 7faces.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Encontro celebra a obra de Mário Peixoto

Mário Peixoto. Foto: Arquivo Mário Peixoto


Cineasta. Romancista. Poeta. Todas as facetas do multiartista Mário Peixoto são exploradas por estudiosos de sua obra na edição 14 da Revista 7faces, com sublinhado para sua produção literária. Este número reúne, além de ensaios, material diverso de arquivo e inéditos do autor. Marca desta publicação Mário Peixoto. A poesia que reside nas coisas –  alusivo à memória e à obra do autor. O evento ocorre nos dias 13 e 14 de novembro de 2017, no Centro Cultural IBEU (endereço abaixo). A entrada livre, sujeita a lotação da sala. Você pode confirmar presença para o evento aqui


CENTRO CULTURAL IBEU
Av. N. S. de Copacabana, 690 • 11º andar
Copacabana – Rio de Janeiro
Tel: (21) 3816-9441/9458 • cultural@ibeu.org.br


segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Três poemas Georg Heym



BERLIM I

Barris alcatroados rolavam das saídas
de depósitos escuros para os altos batelões.
Os rebocadores puxavam. A bruma da fumaça
caía fuliginosa sobre as ondas oleosas.

Dois vapores, com banda de música, vinham.
Baixaram chaminés sob o arco da ponte.
Havia fumo, fuligem e fedor sobre as vagas
imundas dos curtumes das peles marrons.

Em todas as pontes, sob as quais nos conduzia
a barcaça, ressoavam os sinais,
como um retumbar crescendo no silêncio.

Deixamo-nos levar e entramos no canal
chegando lentamente aos jardins. No idílio
víamos os fanais noturnos de enormes chaminés.


BERLIM II

A margem alta da estrada, onde estávamos,
era branca de poeira. Vimos no estreito
inúmeras pessoas: fluxo de gente e multidão,
e ao longe a metrópole erguer-se na noite.

Cheias charabãs passavam pela massa
pendiam delas bandeiras de papel.
ônibus com capotas e carros.
Automóveis, fumaça e buzinas.

Rumo ao imenso mar de concreto. Mas a oeste
vimos, na longa estrada, árvore ao lado de árvore,
a filigrana das copas sem folhas.

O sol pendia grande no horizonte celestial.
E raios vermelhos abriam o caminho da noite.
E sobre todas as cabeças, um sonho de luz.


* Trad. Marco Aurélio Werle


O DEUS DA CIDADE

Escarrapachado sobre um quarteirão,
À sua volta acampam negros ventos.
Ele olha irado, ao longe, a solidão
De últimas casas em campos nevoentos.

Baal ao pôr do sol, pança luzindo,
À volta ajoelham as grandes cidades.
De um mar de negras torres vem subindo
O eco monstruoso das trindades.

Na rua, a multidão música entoa,
Em dança coribântica exaltada.
Das chaminés fabris o incenso escoa
E sobe até ele, em fragrância azulada.

No seu sobrolho crepitam temporais.
Narcortiza-se em noite o escuro dia.
Como os abutres, esvoaçam vendavais
Em cabeleira irada, que arrepia.

Estende no escuro a mão de carniceiro.
Um mar de fogo varre, num estremecer,
Toda uma rua, que acaba num braseiro,
Até que o dia tarde a amanhecer.

* Trad. João Barrento